segunda-feira, 25 de março de 2019

É sério? Eu na terapia?

Confesso que sempre teve a ver com falta de grana, mas no fundo mesmo foi preconceito...

Fui criada num lar cristão que, cogitar a possibilidade de realizar terapia era coisa de gente que não confiava em Deus, que não tinha a espiritualidade resolvida.

Hoje eu olho para trás na minha vida e percebo que Deus não polpou esforços para me tirar dos abismos que me encontrei muitas vezes, mas se eu tivesse uma mão ajudadora, é possível que muitas decisões, muitos caminhos seriam moldados para eu seguir por lugares mais seguros do que eu passei.

Eu sofri tantos traumas desde muito pequena e vivi tantas rejeições que me orgulho da mulher que Deus me transformou. Na fase adulta fui muito questionadora, mas não largava do pé de Jesus, em tudo e por tudo chamava Ele pra briga, pra esclarecimentos, pra responder meus por quês.

Sozinha, verdade, não sei você, mas comigo acontecia frequentemente, e ainda acontece. Nos meus piores momentos, que preciso de tomar decisões, ou de uma palavra de ajuda ou conforto, ESTOU SOZINHA. Na infância e adolescência eu colocava para fora meu desespero em forma de extravasar na escola, sempre muito inteligente, mas dificultando a vida dos meus pais e claro, a minha. Já na juventude e fase adulta em algum momento deixei de acreditar no ser humano, de tão sozinha que me sentia para extravasar dores reais.

Sempre que tentava, ficava no vácuo, eu ficava péssima, indignada, porque desde sempre, todo mundo podia contar comigo para qualquer situação, porém quando eu mesma tinha um desespero de alma, sozinha estava, sozinha decidia, sozinha passava pela dor e sozinha me recuperava.

Humanamente falando, porque sempre e em qualquer circunstancia sentia e sinto Deus a me amparar em Seus braços.

Porém a poucos meses, conversando com um colega de trabalho, comecei a chorar por causa de algumas lembranças e ele me disse algo que, por algumas vezes nos últimos tempos se repetia, "por que você não busca terapia?"

Repugnei a proposta dele imediatamente, eu havia passado por um spa no interior de SP no ano passado, e lá fui atendida por uma psicologa cristã entre outros profissionais de saúde, eu estava no ápice do stress e não conseguia dizer nada, somente chorar. Sabe quando a gente chora sem querer chorar? Quando as lágrimas descem quente e você enxuga e enxuga, mas elas não param de cair? Pois é, assim mesmo...

Então ela me disse "Patrícia, sua história é admirável, te transformou nessa mulher espiritualmente inabalável, nessa profissional cheia de vida e garra, mas você precisa de ajuda e é para ontem..."
Fragilizada só pensei, "isso é como uma dor de cabeça, ela está dizendo isso, mas assim que me sentir melhor, como qualquer outro momento, me levanto, bato a poeira e saio mais forte disso..."

Mas não foi assim...

Ignorei, vida que segue, mas o cerco emocional foi apertando. Nunca me considerei alguém ansioso, mas me vi em contextos de ansiedade que sentia que, se não respirasse direito e com calma, surtaria.

Eu questionei meu Melhor Amigo,  "Deus, já me levantei tantas vezes, o Senhor sempre esteve ao meu lado, me carregando no colo, mas desta vez eu sinto que o cerco está fechando para mim, cheguei no meu limite, algumas coisa precisam se definir e eu simplesmente não consigo enxergar saídas, fortaleci alguns alicerces da minha vida tão bem fundamentados, mas outros tão importantes quanto estes estão no chão e não consigo simplesmente sair de lá"

E resisti o quanto pude, mais alguns meses e quando o medo tomou conta do meu coração, eu gritei por socorro. Foi assim que ela me conheceu...

Ela é cristã, tão gentil, tão humana, tão firme, me disse sem saber da outra análise da terapeuta de SP, "É Patrícia, você é uma mulher forte, corajosa, vencedora e espiritualmente resolvida, uma workaholic e tanto, mas sua história de vida é tão forte, que só entendo vc estar lúcida, guerreira por causa de um DEUS maravilhoso que não desampara Seus filhos, mas sua terapia é para ontem..."

Confesso que sou cética quando ao ser humano, no que se refere a mim, e não acreditei que alguém desconhecido poderia fazer por mim o que eu acreditava que Deus já havia feito de melhor. Mas sou humilde pra entender que Ele pode usar pessoas capacitadas e preparadas para me mostrar que Ele pode continuar guiando meus passos por novos caminhos.

Nossos momentos são repletos de verdades, na lata, porque eu entendo que é como diz a Bíblia "...e conhecereis a Verdade, e a Verdade os libertará" João 8:32 NVI

Sim, eu estou levando a sério! Pense nisso, nossa espiritualidade pode ser uma benção para nossa vida e de outros, mas se seu emocional, seus alicerces precisam ser reavaliados, se há ruídos em seus relacionamentos, sequelas não curadas, Deus pode usar pessoas de fé, formadas e preparadas para te dar lucidez sobre várias questões; não opiniões pessoais, partindo de uma experiência pessoal, mas fundamentada em conhecimento e ciência, para dar novos rumos, novos viés...

Sim, estou na terapia e Deus usará mais este instrumento para me fazer alcançar coisas novas. Nunca é tarde pra gente ser feliz, plenamente em Cristo Jesus e com todos ao nosso redor.

Reflita...



sexta-feira, 22 de março de 2019

Transbordando ou migalhas?

O mundo cristão tá confuso, na verdade eu acho que o mundo tá confuso. Nossos valores e princípios tem sido questionados, nossa liberdade de pensar é esmagada por uma série de opiniões sem fundamento.

O fundamento que digo, é aquele da experiência, do conhecimento e da vivência. "Eu acho, é assim que eu penso, não concordo..." quando você questiona "sério? como foi sua história? Me conta, quando passou por isso como se sentiu?...", automaticamente e instantaneamente uma mudança brusca de assunto e o final da conversa é "me desculpe, é o que eu penso..."

Normalmente saio de conversas assim meneando a cabeça e deletando a conversa da minha mente pra não me sentir furiosa com aquela pessoa.

Tem um verso bíblico que diz "...que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz..."Col 3:15. Tenho lutado com unhas e dentes por paz, oro sobre isso, dialogo com Deus sobre o assunto e luto por ela como se fosse a coisa mais importante da minha vida nesta terra.

Tenho muita dificuldade para entender como pessoas sem paz são capazes de destruir um ótimo dia da minha vida, e ai me deparo com o pensamento contrário " e quando não me preocupei com isso e/ou não estou num bom momento, como lido com o fato de tirar a paz das pessoas?"

Porque, apesar de ser essencialmente humana e falha, pode não parecer porque as pessoas me julgam como brava, temo o poder de destruir o dia de alguém, nossas palavras tem poder e nunca, nunca mesmo saem de nossa boca sem efeito.

Me lembrei de outro verso bíblico "...assim também, a língua é um fogo, é um mundo de iniquidade...", em outra versão diz assim "...com nossas palavras, podemos arruinar o mundo, criar confusões sem fim, jogar lama na reputação dos outros e encher o mundo inteiro de fumaça, uma fumaça que vem das profundezas do inferno..." Tiago 3:5-6 (Bíblia A mensagem/NVI)

Confesso, já sofri muito com o fato de fazer pessoas sofrerem pelo que sai da minha boca, sou perfeccionista no trabalho ou nas coisas que realizo na igreja, gosto das coisas corretas, não admito insubordinações e sou muito transparente. Infinitas vezes me calo, mas quando, por algum motivo externo estou alterada, é quase que imediato a resposta e o arrependimento. Algumas vezes me altero no tom de voz e digo o que penso sobre aquilo, quase sempre ou dificilmente estou errada, mas a forma usada para externar minha indignação é a minha maior luta.

Sou bisneta de italianos e espanhóis, neta e filha de gaúcho de raiz, minha mãe é matriarca absoluta, "papa na língua" é uma das maiores dificuldades  no momento que eu tenho certeza que é preciso calar. Mas não posso seguir na vida com a `síndrome de Gabriela`, "eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim..."

Eu entendo que desejar rios transbordantes de paz, não me autoriza a oferecer as pessoas migalhas dela. Se de graça recebo, assim diz a Bíblia, de graça preciso dar. Se peço muito, muito preciso oferecer.

E é justamente em momento de contrariedade, de falácias vãs, de coisas mal feitas realizadas ou seja o que for que eu não concorde, não aceite ou me sinta contrariada em meus valores ou princípios, é ai, que Alguém precisa vencer dentro de mim.

A gente não se exercita pra no final do treino se jogar em uma pizza enorme e come-la inteira, com 3 bolas de sorvete cheio de guloseimas, a gente treina pra nos dar o prazer ao final do treino de missão cumprida, de ter realizado o melhor pela nossa mente e nosso corpo. Eu não suplico a Deus por paz, para ao sair de casa, na primeira cortada que me derem, eu xingar o abençoado que quase me fez bater, ou pra chegar no escritório e constatar que o funcionário não cumpriu com suas obrigações e ao deparar com ele mostrar-lhe o quanto estou indignada com aquilo.

Porque entendi um principio básico da paz; ao tira-la do outro, sou a primeira a ser atingida.

Posso sentir raiva? Devo. Posso sentir fúria? Com certeza, mas alimentar coisas tão fortes dentro de mim por mais tempo do que o necessário é destruir um dia, uma semana, um tempo ou muito tempo. 

Eu descobri que não desejo isso para mim, eu desejo paz, ela me custa muito caro, mas eu quero pagar o preço!

E vc? 

quarta-feira, 20 de março de 2019

A vida não é só festas!


Eu sempre gostei de festas, sempre fiz questão de comemorar meu aniversário, a vida. Isto sempre me trouxe muita alegria.

Mas foi somente aos 29 anos que passei a me perguntar qual seria o meu legado, e se haveria algum com aquele passado tão presente ainda. (esta foto ao lado, sou eu, hoje)

Não tenho filhos. Nascidos de mim, nenhum.
Tenho filhos que a vida foi me presenteando ao longo da jornada.
Pensa você que são poucos? Não! São muitos, e muito essenciais para minha existência, para eu ser a mulher que me tornei. A gente, breve vai tratar deste tema...

Mas voltando ao legado, a verdade é que você passa a vida toda entre alegrias, angustias e crises; e se questionando se os insights daquele determinado instante será usado como experiência para concretizar os seus valores e te manter inesquecível por algum feito, transformando vidas. Mas ai, você chega aos 48 anos de existência e descobre, olhando lá no passado e no presente, que a sua própria historia é um legado esplendido entre acertos e erros, entre escolhas e imposições, do que você quer deixar para o mundo.

Por que o Blog? Infinitos motivos...
Alguns deles? Meus amigos sempre me falam sobre o dom da escrita fácil, das ideias repentinas. Ai pensei que na verdade mesmo, também senti o desejo de externar a minha dificuldade de lidar com a vida depois dos quarenta, porque isso sufoca as vezes a mim, não sufoca você? (risos largos) 

Conseguir relacionar uma mente que "acha" que tem dezenove anos;  pensa, ri, se aventura, se apaixona e vive neste ritmo, com um corpo que não deseja responder na velocidade marota de uma mulher cheia de bagagem, vivacidade, humor, acidez e muita leveza não tem sido tarefa fácil de viver e se encaixar.

Sou a única? Acredito certamente que não!

Estou aqui pra compartilhar minha historia, perpetuar meu legado, trocar experiências e conhecer gente incrível que sobrevive em meio a tanta confusão, estou aqui pra me divertir, fazer algo que me dê prazer, me emocione e me dê muita vontade de rir de mim mesma enquanto viro as páginas deste livro que sou eu...
Seja bem vindo(a) na minha aventura chamada vida real!

Patrícia Mendes