quinta-feira, 13 de junho de 2019

Um suco de tomate que resgatou meu amor-próprio...


Satanás de fato, usa todas as armas que tem nas mãos, todos os segredos que damos posse a ele para ferir, matar e destruir...

E não importa quão especial seja para você o seu sonho, se você não estiver dentro dos planos e sonhos de Deus, ele irá tomar posse das coisas que são mais preciosas a nós para nos machucar...

Quando ele surgiu seis meses depois de ter feito aquele telefonema pavoroso dizendo que havia escolhido outra pessoa (vide leitura 12/06/2019), eu não era mais a mesma, talvez eu já estava no processo de mudança e transformação. Melhor, acredito que estava de fato passando por uma reconciliação com Deus.

Com este abandono repentino, e até mais traumático que o fim do meu casamento; porque apesar de amar meu ex-marido, eu realmente acreditava que esta pessoa era exatamente tudo que pedi a Deus e não imaginei que "Deus me decepcionaria" depois de tudo que havia passado anteriormente, e mais, por Ele ter ouvido cada "detalhe do que havia pedido" com todo o coração para Ele, não imaginava que passaria novamente por uma dor tão grande.

A verdade é que quando desejamos muito algo, não ficamos atentos aos detalhes, e é justamente nos detalhes que satanás se instala.

No hospital, quando adoeci por causa do meu casamento, eu havia tido um encontro com Cristo, porém não mudamos do dia para a noite, não despertamos na nossa caminhada espiritual entendendo tudo, mesmo quando passamos "pelo vale da sombra da morte" como havia sido meu caso.Nossa maturidade espiritual, nossa percepção de quem é Deus e Sua vontade vai ficando claro dentro de nós de acordo com a nossa sede dEle, então, através da Palavra, o Espírito Santo consegue nos impressionar, inspirar e nos amadurecer em sabedoria, para tomarmos decisões mais assertivas, que nos aproximam e agradem o coração de Deus.

A verdade que Deus usa as nossas próprias impiedades para nos ensinar. Deus odeia o pecado, mas nos ama, e usa além das coisas boas, coisas estupidas que fazemos para nos fazer refletir e tomar decisões acertadas.

Então, há dez anos atrás, após aquele pedido para retomarmos a relação e esquecer o "equívoco" que ele havia cometido, não houve um meio termo então ele mudou de país e eu de estado; aceitamos missões diferentes e os anos foram passando.

Por algumas vezes em passagens pelo Brasil, ele me pedia para encontra-lo e dar uma chance de conversarmos, eu não sentia vontade, e acho que até sentia medo de, ao vê-lo, desistir do chamado que sabia que Deus havia feito para mim (em breve falaremos disso), até que dez anos se passaram e eu iria a São Paulo para trabalho e ele decidiu que mesmo que eu estivesse ali a trabalho, ele iria me ver e sentaríamos e conversaríamos.

Fiz o impossível para não me importar ou pensar no assunto, mais madura espiritualmente, pedi a Deus que me desse inteligência emocional e clareza, sem romantismo, de como tratar a situação.

Sabe, você que está lendo, deve estar imaginando o que é estar sozinha a tantos anos e de repente, a pessoa que você considerou a mais importante da sua vida, um divisor de águas na verdade, depois de dez anos estar ali, bem diante de você! Calma! Sabe o que era mais curioso? Eu não senti aquele "frio na barriga" e nem vontade de dizer nada, estava pronta a ouvir...

E foi durante aquele suco de tomate que eu tanto amava degustar na cia dele, num dos restaurantes mais incríveis de São Paulo, que a minha ficha de todos os dez anos caiu! Ele estaria em São Paulo por três dias e por minha causa, exclusivamente. Aquela era a terceira noite, eu, após todos os dias repletos de trabalho, feiras e eventos o encontrava, estava exausta, mas algo dentro de mim me fazia sentir feliz porque eu finalmente havia tomado coragem para ter este encontro e não estava apreensiva com isto. A insistência havia sido dele.

E o tempo todo, em oração, eu pedia a Deus que me mostrasse, o porque de viver este momento.

Não sou o tipo de mulher que olha para trás, não me recordo de situações na minha vida que retornei porque não via perspectivas futuras, eu gosto do novo, daquilo que não conheço, da descoberta; retornar nestas situações me dá a sensação de fracasso, de falta de fé em Deus e naquilo que Ele pode realizar através de mim e por mim. Mas eu estava lá, apesar de não entender nada...

Foram três noites e duas delas em luta e oração; ríamos, jantávamos, ganhei presentes, o assunto fluía, mas eu não estava confortável.Ele se declarou, dizendo que, com certeza eu sempre fui a mulher que ele ama, e eu não conseguia dizer nada, a não ser sorrir. O desconforto só aumentava...

Mas na terceira noite pedi que a reserva fosse no restaurante que mais frequentamos enquanto estávamos juntos porque ali havia o canapé de salmão que amávamos e o suco de tomate dos sonhos que marcou nossa historia, e você já deve ter entendido que fiz este pedido porque eu estava tentando sentir e reviver aquele sentimento bom, verdadeiro e único que ele me fez sentir desde o primeiro dia que o vi, há dez anos atrás. Fui para lá, esperançosa...

E foi justamente quando tomei o primeiro gole de suco de tomate, que senti o desejo de lhe perguntar coisas pontuais do momento que ele havia tentado me conquistar. e ele simplesmente não se recordava. Então, como num repente, ele me contou, o que sempre havia pedido para não tocar no assunto; a traição e quem era a pessoa, pivô da nossa separação.

Ali, naquele exato momento eu entendi que Deus estava me revelando o que eu havia clamado pelos três dias que me senti angustiada...

A pessoa em si, objeto da traição, não fazia diferença mais, mas as palavras dele naquele momento me fizeram perceber duas coisas muito importantes; a primeira, que na época eu não havia passado de um "momento" enquanto ele ajeitava a relação com a outra pessoa e focava na sua vida profissional, e a segunda coisa mais importante é que, como o tempo todo o amei de todo coração, e ele havia traído o meu amor e a minha confiança, além de certa forma egoísta estar focado no trabalho, na sua trajetória profissional e no seu ego masculino, dez anos depois, ele ainda sabia, convicto, que o que senti foi de fato real e verdadeiro, e que neste período todo, nunca mais encontrou o amor. Disse que sabia que eu o amei por quem ele era e não pelo que ele poderia proporcionar ou ter, que ele não encontrou ninguém que o amou assim durantes estes dez anos e não encontraria mais porque o amor dele seria para sempre meu.

Confesso que desejei sentir o mesmo, mas já não sou a mesma pessoa há dez anos. Pelo amor que ele disse sentir, lamentei não ser a mesma especificamente por isso, mas já não era possível, infelizmente. 

Eu ali, no segundo copo de suco de tomate, descobri o poder do silêncio. Descobri a importância de ouvir...

Mais uma vez, era Deus me ensinando...

Sou tão ligeira para falar, externar meus pensamentos, minha "visão" das coisas, mas pela primeira vez, depois de tanto pedir a Deus por clareza de sentimentos, de atitude e de decisão, o primeiro ensinamento dele para mim depois daqueles três dias, foi "silêncio, e ouça a verdade como ela de fato é..."

Sabe, as vezes idealizamos as pessoas; achamos, acreditamos que "ouvimos" e "vivemos" coisas incríveis por desejar que sejam incríveis, mas que na realidade não são. E neste ponto admito; isso é carência, e apesar de ter certeza que não sou "carente", foi nos detalhes que satanás me pegou! Seres humanos muitas vezes nos frustram, nos machucam e satanás vibra com isso, porque ele usa nossos equívocos emocionais para nos machucar e nós machucarmos os outros.

Ali entendi que nunca deveria me arrepender de ter aceitado o chamado de servir a Cristo e trocá-lo por uma ilusão. Entendi também que podemos amar as pessoas de diferentes formas e que apesar de não desejá-lo mais como alguém especial em minha vida sentimental, eu o amava como alguém que me fez crescer, aprender e aprofundar nas coisas de Deus e especialmente entender algo primordial para o desenvolvimento da minha fé: "os planos de Deus não podem ser frustrados"!

Voltei pro meu destino mais convicta de não olhar para trás e seguir adiante com Cristo e confiar nos Seus planos de amor para mim.

Passei o "Dia dos Namorados" acompanhada e foi maravilhoso, porque descobri que sou uma mulher especial, que sou capaz de amar de verdade, que não ter machucado profundamente ninguém me dá paz e que eu ainda tenho uma segunda chance ou quantas forem preciso para Deus reconstruir, restituir e restaurar a minha história; que não preciso recolher migalhas de um passado tão dolorido e frustrante. Dei o meu melhor, em amor há dez anos atrás e renovada em Jesus, o darei novamente a quem Ele me der nas mãos para amar, respeitar e viver uma nova história.

Ali, com o copo de suco de tomate, meu amor próprio foi restituído e a certeza da mulher que Deus tem "desenhado" em mim através das marcas e cicatrizes, têm ficado mais nítido e mais claro o quanto o Seu amor me alcançou!

Foi ali, com o suco de tomate nas mãos que percebi com clareza que aquele sonho destorcido não tinha a ver com Deus, tinha a ver comigo. Não era um sonho dEle, era meu! Que Deus jamais me daria algo que me feriria tanto; eu que mais uma vez, não quis perceber nos detalhes, que havia um "senão" e que ele não era o melhor de Deus para mim...

Sei que Deus me compreende, porque naquele tempo ainda não éramos amigos íntimos a ponto de confiar nEle, resolvi confiar nos meus instintos mais uma vez e eles estavam errados, de novo...

Repense sua história e descubra se amar a você mesmo faz parte do pacote. ou te falta descobrir onde vc se perdeu ou se perdeu dos sonhos de Deus para você...

Então peça perdão a Ele e se perdoe...

Deus pode te ensinar o caminho de volta e renovar sua historia de amor com Ele e com você mesmo(a), pense nisso!

























quarta-feira, 12 de junho de 2019

Era uma vez um suco de tomate...

Ele apareceu...

Já percebeu que as coisas que vão mudar sua historia ou você, acontecem de repente?

Algumas pessoas me taxam como uma mulher difícil, seletiva, exigente; dizem que escolho demais, idealizo demais. Não acredito de verdade que seja isso.

Eu não faço "acepções" de tipos de homens, não tenho na minha cabeça aquele esteriótipo formado; o que realmente me chama a atenção é "um todo" e isto precisa "mexer" comigo, de verdade. Se não for assim, não adianta, não me interesso.

Gosto de homens discretos, elegantes, inteligentes, divertidos e de olhar marcante. Não sou fã de homens espalhafatosos, mulherengos, largados, com jeito de garanhão e amigo de todo mundo. Sou uma mulher reservada, discreta e seleciono meus íntimos.  Ultimamente tem sido cada vez mais difícil fazer isso, as pessoas tem dificultado; temos que ser mais cuidadosos no geral...

Não sou uma mulher carente, não me apaixono com facilidade e não quero apenas "preencher uma lacuna" de ausência na vida, eu quero compartilhar, quero parceria, amizade e boas risadas. Quero alguém temente a Deus como eu e o resto a gente faz acontecer...

Eu o conheci trabalhando, e como profissional que sou demorei em dar chance para ele se aproximar, foram quase três meses de tentativas, mas um dia, após uma explosão dele me falando o quanto eu era difícil, resolvi ceder e jantar com ele.

Quando eu o vi pela primeira vez, percebi sua elegância, seu perfume e sua fala. A gente sabe quando vai se apaixonar, por isso resisti tanto. Eu havia saído de um relacionamento um ano e meio antes que quase havia me matado, meu ex-marido (eu conto aqui no blog), e ainda estava me recuperando de todos os meus flagelos.

Porém eu havia escrito uma carta para Deus, fazendo um pedido detalhado e extenso do que eu gostaria para minha minha vida após esta catástrofe num homem, e de repente, naquele jantar com todos os detalhes evidentes dos meus pedidos (lógico que não pontuei tudo ali, estávamos nos conhecendo), lá estava ele, EXATAMENTE do jeito que eu havia pedido e "idealizado" para mim.

Ele me disse o mesmo, eu sabia que era ele...e ele dizia que sabia que era eu...

Me fascinava em nossas vidas ocupadas com trabalho, família e afazeres, eu ser prioridade pra ele, me sentia e era tratada como uma princesa; e ainda que muitos que me conhecem pensam que sou do tipo feminista, que não preciso de ninguém, que dou a impressão de autossuficiência e não sou submissa, ele teve muita sensibilidade e entendeu que aquilo era uma "capa de proteção" e que no fundo eu só precisava de mimos e amor, não estava ali para disputar força e nem poder.

Eu apenas queria ser feliz e faze-lo muito feliz...

Não existem historias perfeitas, relacionamentos perfeitos e pessoas perfeitas, eu estava tão apaixonada e encantada que não havia percebido que algo não encaixava...

Depois de quase um ano juntos, um domingo pela manhã, há dois dias do aniversário dele, ele me telefona em casa e me diz friamente "eu tomei uma decisão, entre vc e outra mulher, me decidi por ela, e ela virá para o Brasil para ficarmos juntos".

Satanás usa todas as armas que tem nas mãos, todos os segredos que damos posse a ele para ferir, matar e destruir...

Desliguei o telefone, achei que era uma brincadeira, que em seguida ele me ligaria e diria que era uma "broma", mas não, eu liguei novamente e perguntei "do que estamos falando?" e ele me disse "isso que entendeu, tchau, porque ela está chegando e preciso me preparar..."

Desliguei novamente o telefone, as lagrimas caiam desesperadas, em choque, sem entender nada. A mente não processava. Emagreci 20 kg em sete dias, nem um copo de água conseguia engolir, era uma dor que apertava. Duas semanas depois mais consciente, mas não menos confusa fui ao encontro dele para pedir que sentasse comigo e me dissesse o que havia acontecido; sem sucesso, sua fala foi idêntica "nada para dizer, com licença..." e saiu me deixando no meio do nada...

Custei a processar tudo isso, não conhecia esta pessoa que me feria, e como ainda estava em fase de recuperação do que havia me acontecido antes; muito frágil ainda, desmoronei emocionalmente.

Seis meses depois, recuperada e tentando seguir em frente, recebo um email pedindo perdão, mas eu já não era mais a mesma...

Ele sentiu vergonha, fez de tudo que podia para recuperar minha confiança e meu amor...

Eu gostaria muito, mas entendi que quando algo tão valioso quebra dentro de nós, com algo tão venenoso quanto uma traição, e já não era a primeira (lembra do meu ex-marido?), eu tentava, mas não conseguia...

Dez anos se passaram, mas eu ainda tinha lembranças do suco de tomate temperado dos nossos happy hours...

(continua...)