sábado, 13 de julho de 2019

Amigos bonzinhos não existem...

Você já teve aquela sensação que, em situações que pessoas se beneficiariam com "seus defeitos", elas utilizaram da informação privilegiada sobre você para tirar proveito de algo ou se livrar de você?

É importante ressaltar que todos nós temos defeitos, fragilidades, dificuldades, debilidades...

Acho importante ressaltar, sabe por quê? Porque por algum motivo que eu não entendo, há sempre uma lente de aumento para nossos erros, especialmente quando de alguma forma, eles podem ser "uteis" para beneficiar uma situação, uma pessoa, uma intenção ou um desejo simples de satisfazer o ego de quem nos "usa" para chegar onde deseja, ou apenas se livrar ou nos tirar do caminho.

A sabedoria de Jesus me encanta...
Certo dia Ele disse "Porque você repara no cisco que está no olho do seu irmão? E não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: Deixe-me tirar o cisco do seu olho, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão..." Mat 7:3-5

Conheço minhas fraquezas, minhas debilidades e identifico os meus erros, assumo diante de Deus o ônus e as consequências por decisões não acertadas, uma fala mal colocada ou minha maneira de ser ou agir em alguns momentos.

Então, Deus é generoso, Ele perdoa e esquece.
E com Deus, é bola pra frente, tudo de novo, seguimos avante, nos esforçando para acertar da próxima vez, nos dias que Ele nos dá, tudo novo, de novo.

Sabe quem nos joga na lama dos nossos erros? Os dedos que nos apontam, nos lembrando quem somos. São as conversas paralelas que sempre alguém "muito bonzinho" resolve contar aos outros pra dizer o que pensa de você, do seu jeito e dos erros que você cometeu ou comete. Pessoas que se "fazem amigas", só pra descobrir suas fragilidades e destruírem sua auto estima com uma fala ou com uma decisão a seu respeito que pode mudar o percurso da sua história, somente porque, de alguma maneira, ele não quis lidar com o "seu problema", apenas quis se livrar de você e sentir o alívio de não ter que lidar mais com uma cobrança e seguir seu caminho escalando na dor de quem foi julgado, sentenciado e nem ao menos teve condição de entender o porquê foram tomadas decisões ao seu respeito.

Eu mereço; sou má, pecadora e o bem que pratico, só mesmo por intermédio de Cristo. Mas Jesus, um Ser perfeito em tudo, entendia disso melhor que qualquer um de nós, o tempo todo, em qualquer lugar, independente de qualquer palavra, ação ou situação, ele era julgado e sentenciado. Foi inclusive confundido com o próprio demônio, por não compreenderem Suas intenções e Sua maneira de ser. A ponto de tramarem as escondidas contra Ele, um dos Seus ser envolvido nisto, por causa das suas própria ganancia e projetos de vida, e matarem Jesus, um inocente.

Naquela madrugada aumentaram o quanto puderam a historia; inventaram, mentiram, criticaram, demonstraram indignação e toda a fúria pra provar que Jesus era "um problema" e problemas precisam ser eliminados, "transferidos" e até mortos, como foi em caso extremo como o dEle.

Uma pessoa inteligente outro dia me disse "informação é poder", eu fiquei um tempão tentando entender, porque informação pra mim sempre foi algo relacionado a lealdade, eu nunca pensei em utiliza-lá para me beneficiar, e se neste "pacote" tiver incluso "machucar, ferir ou surpreender alguém através da dor", prefiro calar, a ter nas costas os possíveis desdobramentos que virá a partir da minha turva visão de apenas uma vertente do fato ou da pessoa. 

Profissionalmente, por vezes, somos surpreendidos com este "poder" de decidir a vida das pessoas que estão abaixo de nós, e se não o fizermos por um único motivo; entender aquela vida e perceber como ajudá-la ou beneficiá-la através da mudança que estamos prestes a decidir "pela pessoa",  podemos destruir a relação que aquela pessoa tem com Deus, sua auto estima e sua certeza do quanto vale a pena seus esforços em crescer como ser humano e profissional. Acredito que o mesmo ocorra na vida dos filhos, esposas, maridos, amigos, lideres e membros de igreja, etc...

Por vezes, nos concentramos no pior da pessoa, exaltamos seus defeitos, suas falhas, porque nosso objetivo final é saciar nossa "paz de espirito" e nos livrar de quem "esta criando o tumulto".

Não desanime! Não conheço ninguém pior do que eu, e com o tempo, nesta amizade com Cristo, vou entendendo que quanto mais ando com Jesus e preciso me parecer com Ele e mudar, menos entendo o ser humano. Ainda que andar com Jesus me aproxime das pessoas por causa dEle, mais elas me demonstram que preciso tomar cuidado.

Deus te estimula a mudar, te estimula a crescer, a enxugar as lágrimas e tentar ser diferente, agir com amor, se desprender do ser humano que vc é, porém as pessoas fazem exatamente ao contrário...exaltam suas mazelas e te jogam no abismo dos seus defeitos; seja com uma piada, uma conversa de roda, um segredo mal contado ou aumentado, uma sugestão mal intencionada ou um abraço de judas. Não importa, o "amigo bonzinho" deseja mesmo se livrar de você, e não importa quanto você lute para tentar mostrar a ele que mudanças celestiais estão ocorrendo dentro de você, que o processo é longo, mas Deus está vencendo. Ele não se interessa, isto pode ser bom em outro lugar, longe dele, mas não serve no ambiente que ele está.

Ele não é seu amigo, ele nunca foi seu amigo, o que ele gosta mesmo é de trampolins, e te confundiu com um! 

Por isso Jesus continua falando, e por vezes nos esquecemos desta parte que vem logo em seguida com o comportamento que Ele reprova acima,  "Não dê o que é sagrado aos cães, nem atirem suas perolas aos porcos; caso contrario, estes as pisarão, e, aqueles, VOLTANDO-SE CONTRA VOCÊo despedaçarão..." Mat 7:6

Eu amo a Cristo, e vc? Como Jesus é sábio, como Ele é incrível! É exatamente disso que Ele fala...

Eu posso ser a pior pessoa do universo, posso ter defeitos que Ele custa em corrigir por causa da minha natureza, minhas debilidades, mas Sou sua, sou sagrada pra Ele, minha vida é sagrada pra Ele e não posso simplesmente colocar nas mãos de "qualquer pessoa". Não existem "pessoas boazinhas", Deus é que nos salva destas, colocando estrategicamente ao nosso lado, em momentos dificieis, pessoas verdadeiramente tementes a Deus, amorosas e que se preocupam conosco. 

Eu tenho aprendido, como gostaria de ser perfeita; gostaria de ser perfeita na minha vida, no meu trabalho, com as pessoas que me cercam, na minha família, na igreja, no transito, no supermercado, ou em qualquer lugar, mas NÃO SOU!!! E está tudo bem!

Jesus me ama, apesar de, e juntos vamos galgando os degraus do aprendizado.

Enquanto muitos não tem tempo, paciência ou amor para lidar com os meus defeitos, ou apesar deles; me defender diante daqueles que me destroem com suas línguas "perfeitas" ferinas, com suas vidas "perfeitas" decadentes ou cheia de problemas, que, enquanto me acusam, sentem o alivio da sua própria angustia de ser e ter a vida que não sabe como ajeitar, eu sigo com Jesus, caindo e levantando, sendo vitoriosa nEle.

A poucos dias descobri um verso bíblico que me trouxe luz em meio a dor da traição, quando soube que uma "amigo bonzinho" pediu "minha cabeça na bandeja" para alguém influente, inclusive usando minhas palavras para me destruir; olha que verso bíblico incrível!!:  "Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos." I João 2:19

Informação não é poder, ou talvez seja, na mão de pessoas fracas e inseguras. 

Poder é ter discernimento e paz em meio a momentos como esse, afinal de contas "ele saíram do nosso meio...porque na realidade não eram dos nossos, se fossem teriam permanecido..."

Nosso Amigo que tem toda a informação sobre nós, todos os ângulos, todas as vertentes é Jesus Cristo, nosso Salvador, é Ele que nos conhece por completo; entregue a Ele sua vida, para que "amigos bonzinhos" não tenham o poder em suas mãos de "plantar" ou "destruir".  

Lembre-se: "Em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina os seus passos" Prov 16:9

A Palavra; a que sai da boca de Deus é viva! Creia nEle e nos Seus pensamentos e decisões sobre você, não dê a ninguém poder que não tem.

Você é PEROLA, você é SAGRADO(A)!

Jesus está por perto, não tenha medo! Excelente semana!!!











segunda-feira, 8 de julho de 2019

TEI - Quando o entendimento vem (Parte II)


Pelo exagero, cheguei muitas vezes a dizer a familiares, amigos, funcionários e/ou colegas no trabalho em meio ao ataque de explosão que minha fúria não era contra eles. Mas do "jeito que vinha, eu colocava pra fora e pronto".

E durante o episódio, me via toda alterada, exagerada, agressiva, furiosa e querendo ser ouvida, sem aceitar justificativas, não conseguindo voltar naturalmente ao normal e me conter até que o discurso terminasse. 

Reagia assim, do nada, sem pre
meditar e sem alteração no humor, mas já percebi, me observando,  que ocorre com mais incidência nos dias que me sinto triste, preocupada ou irritada com algo. Nestes dias era bem mais fácil "entender", acabava quase sendo um álibi para que eu justificasse minha atitude. 

O ciclo é sempre o mesmo:
✓Impulsividade
✓Reação
✓Explosão
✓Alívio
✓Culpa, esta acompanhada de pensamentos repetitivos, retorno mental a ação com resultado diferente através dos pensamentos, choro, sentimentos de humilhação, vergonha do excesso, raiva por ter agido assim novamente, fobia de pessoas, isolamento, etc...

As pessoas me taxam de doida, nervosinha, brava, mal humorada, chata, irritante, desequilibrada, arrogante, prepotente e no meu caso que estou solteira; com o perdão da sinceridade; mal amada, "mal comida" e que tal comportamento explica porque nunca estou acompanhada. Isso sempre me feriu profundamente, mas camuflei o quanto pude, porém, nos últimos anos, talvez porque a sensibilidade vai aumentando, no silencio, choro e sofro muito com as críticas, que se eu for justa, talvez não estejam errados em tudo que pensam de mim.

Porém, de forma reativa,  o julgamento me isola, fazendo me sentir confortável; na minha solitude, sem magoar ninguém, me protegendo e protegendo as pessoas de mim. Esse isolamento era inconsciente, até eu ter conhecimento do "tal transtorno" eu só achava "prazer" em ficar só.

Primeiro, ao detectar este comportamento a ponto de refletir sobre ele, agora que tenho consciência, senti vergonha e raiva por agir assim repetidamente nos últimos 10/12 anos, e segundo, não sabendo do que se tratava; eu travava uma luta real, de saúde mental. Por todos estes anos, sempre muito angustiada, supliquei a Deus que me ensinasse a "conter este gênio que me atropelava e me feria", porque Ele não me ouvia? Então, um dia, Ele me ouviu, e numa situação extrema; com meu chefe...

Meu pai e minha mãe tem temperamentos fortes, não suporto isso desde criança em qualquer pessoa, porque minha natureza desde pequena é oposto disso, sou calma, gosto de paz, silencio, falas baixas e calmaria.Eu era do tipo que em momentos "agitados" em família me trancava no quarto para ler, me isolando da tensão. Então descobri também que este traço pode ser hereditário, em alguns casos. Eu não gosto de ambientes agitados, gritarias ou alterados. Mas ironicamente me observando, me vi fazendo e sendo tudo isso com pessoas próximas; minha hostilidade não é maldosa, mas evidente.

Há quase 8 anos atrás no auge do meu sofrimento e prejuízos, creio que Deus ouvia cada uma das minhas orações, como me disse um amigo leal a poucos dias "Deus ouvia, mas a forma de te ensinar, era te permitir passar por situações assim, para sua cura chegar". E agora que sei o que se passa comigo, com um esforço sobrenatural tenho me calado em algumas poucas situações ainda,  tenho muito a melhorar, na maioria das vezes ainda sou vencida por meu eu impulsivo, mas considero que em Deus, tenho tido grandes vitórias.

É um dia de cada vez, um aprendizado constante. Tento estar sempre ouvindo músicas tranquilas, leituras que edificam e situações que me tragam paz e felicidade. Além de me esforçar por ter uma alimentação mais saudável, livre de açúcares e estimulantes, nesta área tenho muito pra crescer, mas tenho pedido a Deus, ajuda e "socorro presente". Em momentos de grande stress, hoje entendo que preciso encontrar válvulas de escape, fazer dos 8 remédios que Deus deixou, meu foco.

Ser portadora de traços do TEI é um fato estressante em si mesmo, mas com ajuda profissional, por vezes repositores de hormônios do humor, por exemplo como descobri a pouco tempo, da Serotonina, e uma vida espiritual de intimidade com Deus, mesmo em meio a fortes batalhas, há grandes possibilidades do domínio próprio vencer dentro de mim.

Foi um susto quando ouvi sobre TEI pela primeira vez, como se alguém tivesse me dito que tenho "câncer emocional incurável", como se houvesse "tomando um soco na boca do estomago", foi como um espelho, me identifiquei imediatamente a esta angústia, mas também foi um alívio saber que MEU COMPORTAMENTO NÃO É PROPOSITAL. Pelo contrário, eu o repulso completamente e tenho muita vergonha, porque os holofotes estão sempre voltados pra mim, e negativamente. Quem quer viver assim?

Eu não sei se é hereditário, se é consequência das minhas más escolhas ou de fatos externos contra minha vontade ao longo da vida…
O que eu sei é que reagir tem sido um trauma pra mim e Deus tem ouvido meu clamor ao longo dos anos e como uma cura lenta, há de me livrar de mim mesma em breve…
O que eu sei também é que quanto mais dependo dEle, intimamente falando, mais percebo Seu agir dentro de mim.

"Ter" traços de TEI - Transtorno Explosivo Intermitente, é talvez, um possível diagnóstico que explicaria anos de dor, que se tratado em terapia, com  exercícios mentais de tolerância e domínio próprio, além de momentos de entrega e oração, terá grandes progressos para mim, e não foi bem isso que Jesus nos orientou? "Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e EU vos aliviarei." Mat 11:28.

Eu necessito deste alívio diariamente, e vc?

domingo, 7 de julho de 2019

TEI - Quando o entendimento vem (Parte I)


Na maioria do tempo,  minhas características e personalidade são evidentes pra quem convive comigo, sou uma pessoa feliz, amorosa, compassiva, tranquila, bem humorada, leve, preocupada com as pessoas, carinhosa, divertida, calma, relevante e engraçada.

Amo as pessoas por quem são, e não espero que elas possam me retribuir em nada, convivo com quem quero, quando quero e se quero, porém se tratando de necessidades ou socorro, os que estão próximos de mim sabem que naquilo que puder estarei junto, mesmo que seja em silêncio, apenas para ouvir, orarmos juntos ou não fazermos nada juntos...

Profissionalmente sou rígida e perfeccionista, espiritualmente sou detalhista, gosto das coisas corretas, bem feitas, o meu prazer é me antecipar a episódios ruins, me programar para eventos difíceis. Mas nunca havia percebido que me prevenir ao stress das situações através do controle que pensava ter de tudo ao meu redor, na verdade, inconscientemente era pra fugir das minhas reações impulsivas. Por nunca saber como seria, o medo da reação indesejada ocorrer sempre foi constante, um pesadelo.

Eu preciso me antecipar a contratempos, saber o que vem depois, me organizar para isso, vc sente  também esta necessidade? A falta de controle também te deixa insegura como reagir? 

Profissionalmente, a quase 35 anos, ascendendo sempre a cargos de confiança nas empresas por onde tenho passado, estou diariamente exposta a situações de grande stress, desafios administrativos e financeiros, metas, além das minhas próprias cobranças. Eu amo o que faço, amo criar, administrar, comercializar, sou workaholic com orgulho, lembra?!

Acredite, este episódio que vou narrar, se vc não me conhece entenderá porque farei a narração em partes, se vc me conhece vai perceber algo muito familiar.

Já ouviu falar do TEI? Ocorre do nada dentro da gente, não é um sentimento e nem um pensamento premeditado ou construído, simplesmente, de forma repentina e exagerada somos impulsionados a reagir a uma situação de ameaça, ou que entendamos como ameaça em algum lugar do nosso cérebro, não de forma racional. Por não dar tempo de pensar, é uma reação interna, movida por uma fúria e intolerância descontrolada REPENTINA NÃO PREMEDITADA, que pode resultar; em gritos,  em respostas impacientes, cruéis e raiva incontida, elevando ao exagero uma situação que, na maioria das vezes é muito menor em importância. E agimos de forma exagerada, por nos sentirmos "injustiçados",  algumas pessoas brigam no transito, em festas, na rua, no trabalho, falam palavrão, gritam, choram, ou  fazem tudo junto. Alguns casos, em algumas pessoas, atingindo mais em porcentagem os homens, batem, agridem e até matam, num momento de descontrole.

Quando em momentos de forte "provocação externa" (quero dizer que não requer uma reação tão forte), como por exemplo, uma ligação de um cliente falando mentiras ou algo dito de forma injusta com pessoas desconhecidas, em casos como estes, quase sempre resultará na intolerância do ouvir e se conter. 

Você já ouviu falar de TEI - Transtorno Explosivo Intermitente? Se não, não se preocupe, eu também não havia ouvido falar por 48 anos. Mas posso te confessar, que quando ouvi sobre isso, pela primeira vez foi assustador, porém com o passar do tempo, muita coisa fez e faz sentido...

O TEI não começa do nada e é em extremo agressivo, com quem sofre e com quem está por perto. Você vai entender...

Calma! Muita calma nesta hora...
Eu não sofro especificamente de TEI, mas creio que tenho traços, depois de algumas reflexões de terapia, e confesso que me trouxe grande alívio descobrir que não era apenas uma luta espiritual...
E afirmo, traços não são o transtorno em si, porém eu também creio que não houve progresso deste desgaste de carregar algo tão pesado, justamente pela minha busca incessante por "cura"...
Acompanhe que vc vai entender...

Me expor é a parte mais difícil, mas assim como me ajudou e me trouxe alívio, eu creio que acontecerá o mesmo com vc...

A história começa simples; alguém, que sou muito grata, começou a me questionar por algumas vezes "porque, para que e afim de que eu reagia a determinadas situações?" E me pediu para responder a mim mesma se, era de fato necessário, se a situação carecia de tamanho desgaste e pensar se, o preço que pagaria pela minha exposição negativa não me traria prejuízos emocionais ainda maiores e até mesmo, prejuízos profissionais.

Antes de narrar a minha experiência pessoal, deixo aqui um motivo para você pensar; entre tantos que me julgam por toda a minha vida e não são poucos os motivos (as vezes só de olhar, nunca nem teve qualquer contato comigo na maioria das vezes); aparência, altura, minha cara, meu cargo, minha organização, minha postura séria, minha forma de falar, meu jeito de ser, vestir, me expor nas redes sociais, a família que tenho, se sou ou estou solteira, porque sou divorciada, etc e tal...) se pergunte; quantas vezes eu critiquei, julguei e sentenciei alguém? Mesmo só, ali no silencio do travesseiro em meus pensamentos, ou até mesmo para amigos, colegas de trabalho ou familiares, pensando "num bem comum" e destrui ainda mais a auto estima de alguém que está perto de mim, sem ao menos me questionar o por que daquela pessoa ser "assim"? Cuidado, aquilo que te irrita ou vc odeia nas outras pessoas pode ser um traço de personalidade que te incomoda muitíssimo, e vc não nem tem consciência disso...   

Sou absurdamente grata ao amor de Deus, por conhecer o clamor do meu coração por anos de sofrimento, e por ter tocado o coração de alguém que não tinha a menor obrigação, muito menos intimidade e nem motivos, muito pelo contrário.  As vezes o socorro vem de onde menos esperamos, neste caso, veio do meu superior, ele, podendo "reagir" a fim de proteger sua própria imagem (por eu ser a sua subordinada) ou me convidar a sair da empresa para o bem comum, decidiu não me julgar e "estender a mão" para me ajudar a entender algumas emoções que eu mesma não tinha conhecimento. 

E como funciona na pratica tudo isso? Agora sim, vale dizer...
Em alguns momentos de injustiça, do mais simples ao mais complexo, a fúria aparece, me sinto descontrolada, a ponto de me alterar no tom de voz e  sentir dores no peito, rigidez dos músculos, respiração ofegante ou falta dela (a ponto de respirar pela boca e precisar sentar), as  vezes  me retiro para chorar,  com uma sensação de que vou morrer ou passar mal, já que nunca em momento assim passou em minha cabeça o desejo de destruir objetos. Isso é outra coisa que nunca consegui entender, mas sempre relacionei com os abusos que sofri ao longo da infância/adolescência/juventude e da vida no geral, que fizeram da minha personalidade uma pessoa introspectiva, com sensação constante de rejeição. Porém uso outro tipo de força; imponho minha altura e olhar, num momento de explosão e isso intimida qualquer um, (inclusive a mim, quando vejo o medo da pessoa em seu olhar, sinto medo de mim), mas nunca cheguei a vias de fato com nada ou ninguém, graças a Deus.

É uma luta diária em oração, que por anos imaginei que fosse espiritual, hoje entendo que não, porque por anos orei sobre isso, suplicando a Deus, muito angustiada,  que contivesse "isso dentro de mim", porque é a causa de muito sofrimento e vergonha quando ocorre, mesmo que não seja todos os dias (hj graças a Deus em episódios cada vez mais esporádicos por causa do pedido que tenho feito a Deus: - "coloque o silêncio no meu coração.") .

Tudo é muito legítimo quando acontece, não há racionalidade nenhuma na circunstância, mas é legítimo. Porém a conta chega cada vez que acontece; o prejuízo emocional é, a falta de confiança nas minhas emoções e sentimentos (já que nestes momentos tudo que sai da minha boca é carregado de exageros excessivos), a visão que tenho do outro é sempre de uma postura dura e que "ele (pessoa) é culpado por eu estar reagindo",  a não aceitação da visão do outro inclusive, de que ninguém é capaz de compreender os fatos que me levaram a fazer ou falar daquela forma. A sensação (no pico da reação) de incompreensão por parte de todos,  de que estou sendo observada a todo instante, que as pessoas tem medo de mim,  me odeiam e falam o tempo todo de mim pelas costas. Minha auto estima é abalada profundamente, arregaçada por dias ou meses, sempre que ocorre uma explosão, até que eu me recupere e acredite que nunca mais serei acometida deste mal, será que não serei?

Continua...