segunda-feira, 8 de julho de 2019

TEI - Quando o entendimento vem (Parte II)


Pelo exagero, cheguei muitas vezes a dizer a familiares, amigos, funcionários e/ou colegas no trabalho em meio ao ataque de explosão que minha fúria não era contra eles. Mas do "jeito que vinha, eu colocava pra fora e pronto".

E durante o episódio, me via toda alterada, exagerada, agressiva, furiosa e querendo ser ouvida, sem aceitar justificativas, não conseguindo voltar naturalmente ao normal e me conter até que o discurso terminasse. 

Reagia assim, do nada, sem pre
meditar e sem alteração no humor, mas já percebi, me observando,  que ocorre com mais incidência nos dias que me sinto triste, preocupada ou irritada com algo. Nestes dias era bem mais fácil "entender", acabava quase sendo um álibi para que eu justificasse minha atitude. 

O ciclo é sempre o mesmo:
✓Impulsividade
✓Reação
✓Explosão
✓Alívio
✓Culpa, esta acompanhada de pensamentos repetitivos, retorno mental a ação com resultado diferente através dos pensamentos, choro, sentimentos de humilhação, vergonha do excesso, raiva por ter agido assim novamente, fobia de pessoas, isolamento, etc...

As pessoas me taxam de doida, nervosinha, brava, mal humorada, chata, irritante, desequilibrada, arrogante, prepotente e no meu caso que estou solteira; com o perdão da sinceridade; mal amada, "mal comida" e que tal comportamento explica porque nunca estou acompanhada. Isso sempre me feriu profundamente, mas camuflei o quanto pude, porém, nos últimos anos, talvez porque a sensibilidade vai aumentando, no silencio, choro e sofro muito com as críticas, que se eu for justa, talvez não estejam errados em tudo que pensam de mim.

Porém, de forma reativa,  o julgamento me isola, fazendo me sentir confortável; na minha solitude, sem magoar ninguém, me protegendo e protegendo as pessoas de mim. Esse isolamento era inconsciente, até eu ter conhecimento do "tal transtorno" eu só achava "prazer" em ficar só.

Primeiro, ao detectar este comportamento a ponto de refletir sobre ele, agora que tenho consciência, senti vergonha e raiva por agir assim repetidamente nos últimos 10/12 anos, e segundo, não sabendo do que se tratava; eu travava uma luta real, de saúde mental. Por todos estes anos, sempre muito angustiada, supliquei a Deus que me ensinasse a "conter este gênio que me atropelava e me feria", porque Ele não me ouvia? Então, um dia, Ele me ouviu, e numa situação extrema; com meu chefe...

Meu pai e minha mãe tem temperamentos fortes, não suporto isso desde criança em qualquer pessoa, porque minha natureza desde pequena é oposto disso, sou calma, gosto de paz, silencio, falas baixas e calmaria.Eu era do tipo que em momentos "agitados" em família me trancava no quarto para ler, me isolando da tensão. Então descobri também que este traço pode ser hereditário, em alguns casos. Eu não gosto de ambientes agitados, gritarias ou alterados. Mas ironicamente me observando, me vi fazendo e sendo tudo isso com pessoas próximas; minha hostilidade não é maldosa, mas evidente.

Há quase 8 anos atrás no auge do meu sofrimento e prejuízos, creio que Deus ouvia cada uma das minhas orações, como me disse um amigo leal a poucos dias "Deus ouvia, mas a forma de te ensinar, era te permitir passar por situações assim, para sua cura chegar". E agora que sei o que se passa comigo, com um esforço sobrenatural tenho me calado em algumas poucas situações ainda,  tenho muito a melhorar, na maioria das vezes ainda sou vencida por meu eu impulsivo, mas considero que em Deus, tenho tido grandes vitórias.

É um dia de cada vez, um aprendizado constante. Tento estar sempre ouvindo músicas tranquilas, leituras que edificam e situações que me tragam paz e felicidade. Além de me esforçar por ter uma alimentação mais saudável, livre de açúcares e estimulantes, nesta área tenho muito pra crescer, mas tenho pedido a Deus, ajuda e "socorro presente". Em momentos de grande stress, hoje entendo que preciso encontrar válvulas de escape, fazer dos 8 remédios que Deus deixou, meu foco.

Ser portadora de traços do TEI é um fato estressante em si mesmo, mas com ajuda profissional, por vezes repositores de hormônios do humor, por exemplo como descobri a pouco tempo, da Serotonina, e uma vida espiritual de intimidade com Deus, mesmo em meio a fortes batalhas, há grandes possibilidades do domínio próprio vencer dentro de mim.

Foi um susto quando ouvi sobre TEI pela primeira vez, como se alguém tivesse me dito que tenho "câncer emocional incurável", como se houvesse "tomando um soco na boca do estomago", foi como um espelho, me identifiquei imediatamente a esta angústia, mas também foi um alívio saber que MEU COMPORTAMENTO NÃO É PROPOSITAL. Pelo contrário, eu o repulso completamente e tenho muita vergonha, porque os holofotes estão sempre voltados pra mim, e negativamente. Quem quer viver assim?

Eu não sei se é hereditário, se é consequência das minhas más escolhas ou de fatos externos contra minha vontade ao longo da vida…
O que eu sei é que reagir tem sido um trauma pra mim e Deus tem ouvido meu clamor ao longo dos anos e como uma cura lenta, há de me livrar de mim mesma em breve…
O que eu sei também é que quanto mais dependo dEle, intimamente falando, mais percebo Seu agir dentro de mim.

"Ter" traços de TEI - Transtorno Explosivo Intermitente, é talvez, um possível diagnóstico que explicaria anos de dor, que se tratado em terapia, com  exercícios mentais de tolerância e domínio próprio, além de momentos de entrega e oração, terá grandes progressos para mim, e não foi bem isso que Jesus nos orientou? "Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e EU vos aliviarei." Mat 11:28.

Eu necessito deste alívio diariamente, e vc?